Open Access Revisão por pares

Original Article - Year 2026 - Volume 41Issue 1

Desfecho cirúrgico do avanço fronto-orbital com fixação menos rígida na fossa craniana anterior em pacientes com craniossinostose

Surgical Outcome of Fronto-Orbital Advancement Using Less Rigid Fixation on the Anterior Cranial Fossa in Patients with Craniosynostosis

http://www.dx.doi.org/10.1055/s-0046-1820099

RESUMO

Introdução A craniossinostose, caracterizada pela fusão prematura das suturas cranianas, pode causar aumento da pressão intracraniana, anomalias craniofaciais e problemas de desenvolvimento neurológico. O avanço fronto-orbital (AFO) é uma intervenção cirúrgica que visa aumentar o volume craniano anterior (VCA) e melhorar a simetria craniana frontal.
Objetivo Avaliar o resultado do AFO na fossa craniana anterior de pacientes submetidos a uma fixação menos rígida com suturas não absorvíveis de nylon 2/0.
Métodos O método de fixação com suturas não absorvíveis de nylon 2/0 foi utilizado em 19 pacientes com craniossinostose e acometimento das suturas coronais ou metópicas. As análises volumétricas pré- e pós-operatórias foram realizadas por meio de tomografia computadorizada (TC) tridimensional (3D) para avaliação do VCA, do índice de assimetria da abóbada craniana anterior (IAACA) e da alteração no formato da cabeça por meio do índice cefálico (IC) como desfechos primários.
Resultados Os resultados demonstraram um aumento significativo no VCA médio de 259,15 (desvio-padrão [DP]: 162,61) para 314,38 (DP: 79,78) cm3 no pós-operatório (p=0,042). Houve uma melhora na simetria (p=0,05), indicada pela alteração do IAACA médio de 1,14 (DP: 4,78) para -1,63 (DP: 4,98). No entanto, a análise de IC não revelou modificações pós-operatórias significativas na classificação do formato da cabeça.
Conclusão Esses achados sugerem que o AFO com sutura não absorvível de nylon é um método eficaz e econômico para aumento do VCA e melhora da simetria, com manutenção da estabilidade estrutural. Assim, o AFOé uma opção viável para pacientes com recursos financeiros limitados. No entanto, a ausência de alterações significativas na classificação do formato da cabeça destaca a necessidade de maior refinamento das técnicas cirúrgicas. Recomenda-se acompanhamento em longo prazo e coortes maiores para avaliação da persistência desses desfechos e otimização das estratégias de tratamento.

Palavras-chave: avanço fronto-orbital; craniossinostose/ cirurgia; fossa craniana anterior; suturas não absorvíveis

ABSTRACT

Introduction Craniosynostosis, characterized by the premature fusion of cranial sutures, can lead to increased intracranial pressure, craniofacial abnormalities, and neurodevelopmental concerns. Fronto-orbital advancement (FOA) is a surgical intervention aimed at increasing anterior cranial volume (ACV) and improving frontal cranial symmetry.

Objective To evaluate the outcome on the anterior cranial fossa of patients who underwent less rigid fixation using nonabsorbable nylon 2/0 sutures.

Methods Nonabsorbable nylon 2/0 sutures as fixation method were used in 19 patients with craniosynostosis involving either the coronal or metopic sutures. Their pre- and postoperative volumetric analyses were conducted using three-dimensional (3D) computed tomography (CT) imaging to evaluate the ACV, anterior cranial vault asymmetry index (ACVAI), and change in the head shape using cephalic index (CI) as primary outcome measures.

Results The results demonstrated a significant increase in mean ACV, from 259.15 (SD: 162.61) to 314.38 (SD: 79.78) cm3 postoperatively (p=0.042). Also, there was a notable improvement in symmetry (p=0.05), indicated by a mean ACVAI change from 1.14 (SD: 4.78) to -1.63 (SD: 4.98). However, CI analysis revealed no significant postoperative changes in head shape classification.

Conclusion These findings suggest that FOA with nonabsorbable nylon suture is an effective and cost-efficient method in increasing ACV and improving symmetry while maintaining structural stability, making it a viable option for patients with limited financial resources. However, the lack of significant changes in head shape classification highlights the need for further refinement in surgical techniques. Long-term follow-up and larger cohorts are recommended to assess the persistence of these outcomes and optimize treatment strategies.

Keywords: anterior cranial fossa; craniosynostosis/ surgery; fronto-orbital advancement; nonabsorbable sutures


Introdução

A craniossinostose é uma doença caracterizada pela fusão prematura de uma ou mais suturas cranianas. As craniossi-nostoses não sindrômicas são mais comuns do que as sindrômicas, com prevalência de 0,4 a 1 por 1.000 nascimentos.1 Sua classificação pode ser baseada nas suturas acometidas ou nos fatores etiológicos da doença, sendo eles não sindrômica sem anomalia genética, não sindrômica com anomalia genética conhecida ou sindrômica. As classificações anatômicas podem depender do envolvimento de uma única sutura principal, uma única sutura secundária ou múltiplas suturas, sendo, portanto, denominadas de acordo com as suturas afetadas.2

A craniossinostose tem muitos efeitos em uma criança em crescimento, em especial o aumento da pressão intracraniana. Além disso, pode comprometer as vias respiratórias, causando problemas oculares e atrasos psicossocial e do neurodesenvolvimento. Outro efeito da craniossinostose é o formato anormal da cabeça da criança, que comumente representa uma preocupação estética para os pais.

A fusão das suturas metópicas e coronais afeta a aparência da região frontal, provocando diversas anomalias, como assimetria, fronte triangular, retrusão supraorbital, afundamento temporal e uma alta prevalência de distúrbios oculares, como hipertelorismo, proptose, estrabismo e ambliopia.1,3,4 A pressão intracraniana elevada pode predispor à atrofiado nervo óptico, localizado na fossa craniana anterior.1,5

O avanço fronto-orbital (AFO) é uma intervenção cirúrgica indicada para craniossinostoses com fechamento prematuro das suturas metópicas ou coronais.6–12 Pode ser realizado de forma isolada ou em conjunto com o remodelamento da abóbada craniana e auxilia a expansão anterior da abóbada, permitindo a correção de deformidades e assimetrias da região frontal.

A correção cirúrgica da craniossinostose requer múltiplas osteotomias no crânio e reposicionamento dos retalhos ósseos. Historicamente, esses retalhos eram fixados com placas e parafusos metálicos que, de forma gradativa, evoluíram para placas e parafusos absorvíveis que se adaptam ao crescimento do crânio e do cérebro da criança. A fixação com suturas absorvíveis de polidioxanona 2-0 surgiu como método de fixação de retalhos ósseos na craniossinostose em 2000, o que levou ao uso dessa técnica cirúrgica de custo mais acessível e resultados comparáveis aos obtidos com placas e parafusos reabsorvíveis.13–15

Os objetivos principais deste estudo são avaliar os efeitos do AFO com suturas não absorvíveis de nylon no volume craniano anterior (VCA), na simetria e no formato da cabeça de pacientes com craniossinostose. Ao analisar os desfechos desta técnica na fossa craniana anterior, esperamos fornecer informações valiosas para clínicos em ambientes com recursos limitados e contribuir para a otimização contínua do tratamento da craniossinostose.

Métodos

Neste estudo retrospectivo, suturas não absorvíveis de nylon 2/0 foram usadas para fixação de retalhos ósseos durante o AFO em 19 pacientes com craniossinostose com acometimento das suturas coronais ou metópicas. A idade média dos pacientes foi de 29 meses à cirurgia. Os procedimentos ocorreram entre os anos 2019 e 2023 e foram realizados por dois cirurgiões craniofaciais experientes.

A coorte do estudo apresentou distribuição de gênero quase igual, com 9 pacientes do sexo masculino e 10 do feminino. A maioria dos pacientes era de etnia malaia (n = 15), seguida por indiana (n = 2) e chinesa (n = 1). O quadro predominante foi a craniossinostose com acometimento de múltiplas suturas, observado em 17 pacientes (89,4%), enquanto o envolvimento de sutura única foi identificado em apenas 2 casos (10,6%). Além disso, 13 pacientes (68,4%) foram diagnosticados com craniossinostose sindrômica e 6 (31,6%) apresentaram formas não sindrômicas da doença.

Técnica Cirúrgica

O crânio foi abordado por meio de uma incisão bicoronal, com elevação anterior do retalho de couro cabeludo no plano subperiósteo, à altura das bordas supraorbitais bilaterais. A dissecção foi realizada para expor e liberar os tecidos moles ao redor da borda orbital superior, da borda orbital lateral para nivelamento da sutura frontozigomática e medialmente ao processo nasal do osso frontal. A fossa craniana anterior ventral foi, então, exposta para facilitar as osteotomias fronto-orbitais.

A seguir, o retalho de couro cabeludo foi elevado conforme necessário para expor a região bitemporoparietal nos casos que exigiam remodelamento da abóbada craniana. Um bandeau supraorbital foi criado com uma tira horizontal de osso osteotomizado que foi submetido ao remodelamento e reposicionamento para frente por, no mínimo, de 15 mm.

Um enxerto ósseo foi usado como suporte para ancoragem lateral do bandeau (►Fig. 1) Um número igual de orifícios foi perfurado em retalhos ósseos opostos já posicionados e a fixação menos rígida foi feita com suturas não absorvíveis de nylon 2/0 em formato de oito e em cruz para estabilidade (►Fig. 2), como laços cruzados de um espartilho.16

Fig. 1 - Osteotomia do bandeau supraorbital, com realização do avanço fronto-orbital de 1,5 cm.
Fig. 2 - Ancoragem do bandeau supraorbital aos retalhos de osso frontal com suturas não absorvíveis de nylon 2/0 em disposição cruzada e formato de oito.

Dependendo da dismorfia craniana, o remodelamento da abóbada craniana foi realizado com o mesmo método de fixação. De modo geral, a tomografia computadorizada (TC) pós-operatória foi repetida 3 meses após o procedimento e novamente depois 3 anos, embora o tempo possa variar dependendo do quadro clínico do paciente.

Análise dos Resultados Cirúrgicos

As TCs tridimensionais (3D) pré-e pós-operatórias da cabeça foram recuperadas do banco de dados do departamento de radiologia no formato Digital Imaging Communications in Medicine (DICOM) e armazenadas digitalmente. O VCA foi medido pelo software Medical Imaging Interaction Toolkit (MITK, Centro de Pesquisa do Câncer da Alemanha), v2023.12, enquanto o índice de assimetria da abóbada craniana anterior (IAACA) e o índice cefálico (IC) foram analisados com o software Mimics Medical (Materialise Inc.), v.17.0. Todas as mensurações foram realizadas em uma estação de trabalho Dell Inspiron 14 (Dell Inc.) equipada com uma CPU Intel Core i5-7200U (Intel Corp.), com 2.50GHz e 12.0 GB de RAM. Os dados compilados foram organizados em uma planilha Excel (Microsoft Corp.) para análise posterior.

Estudo do Volume Craniano Anterior (VCA)

A abóbada craniana anterior foi segmentada por meio da seleção da região de interesse (ROI) no plano sagital. Em seguida, o método de crescimento da região começou em um pixel escolhido, um ponto inicial, e, então, traçado manualmente com um ponteiro acionado por mouse de computador em cada corte TC do cérebro a partir da projeção sagital para atingir a borda da ROI. A seguir, a área segmentada foi interpolada em 3D. O volume da área interpolada foi calculado automaticamente pelo software e exibido em mm3 (►Fig. 3).

Fig. 3 - Segmentação da abóbada craniana anterior e interpolação para cálculo do volume da fossa craniana anterior.

Cálculo do Índice de Assimetria da Abóbada Craniana Anterior (IAACA)

O cálculo começou com a segmentação da ROI seguida pela geração de uma imagem 3D do crânio. A porção superior do crânio foi então apagada, deixando apenas a base para análise. Uma linha conectando o ponto médio da borda anterior do forame magno e o centro da sela túrcica foi selecionada como o eixo X, enquanto uma linha vertical passando pelo ponto médio (O) do eixo X foi delineada como o eixo Y. Os comprimentos das duas bissetoras, AO e BO, foram medidos, e o IAACA foi calculado usando a fórmula IAACA = |AO − BO|/ BO × 100% (►Fig. 4).

Fig. 4 - Determinação da simetria frontal por meio do cálculo do índice de índice de assimetria da abóbada craniana anterior.

Cálculo do Índice Cefálico (IC)

O IC foi calculado por meio de imagens axiais de TC do cérebro para avaliação do formato do crânio. Primeiramente, foram identificados o corte axial com maior diâmetro biparietal (DBP) e o corte com maior diâmetro anteroposterior (DAP). O DBP, que representa a distância horizontal máxima entre os pontos mais externos dos ossos parietais, foi medido no corte selecionado. Da mesma forma, o DAP, que representa a distância máxima da glabela (o ponto mais proeminente do osso frontal) ao opistocrânio (o ponto mais posterior do osso occipital), foi aferido (►Fig. 5).

Fig. 5 - Medida do diâmetro anteroposterior e do diâmetro biparietal em plano axial e sagital.

O IC foi calculado usando a fórmula IC = (DBP / DAP) × 100, com o resultado expresso em porcentagem. O índice foi usado para categorizar os formatos dos crânios como dolicocefálicos (IC < 75%), mesocefálicos (IC: 75–80%) ou braquiocefálicos (IC > 80%).

Análise Estatística

A entrada e a análise descritiva dos dados foram realizadas pelo IBM SPSS Statistics para Windows (IBM Corp.), versão 27.0. Os dados numéricos foram apresentados como média ± desvio padrão (DP) para variáveis com distribuição normal ou mediana e intervalo interquartil (IIQ) para variáveis com distribuição não normal. Os dados categóricos foram resumidos como frequências e porcentagens.

A normalidade foi avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk. Os resultados indicaram que o VCA pós-operatório, assim como o IAACA e IC pré-e pós-operatórios não apresentaram desvio significativo da normalidade (p > 0,05), sugerindo que essas variáveis têm distribuição aproximadamente normal. No entanto, o VCA pré-operatório não apresentou distribuição normal (p < 0,05).

Considerando a normalidade dos resultados, a compara-ção do VCA pré-e pós-operatório foi realizada pelo teste dos postos sinalizados de Wilcoxon, enquanto a comparação do IAACA pré-e pós-operatório foi analisada pelo teste-t pareado. As alterações no formato da cabeça antes e após a cirurgia foram avaliadas pelo teste de McNemar. O nível de significância de p ≤ 0,05 foi considerado estatisticamente relevant em todos os testes.

Resultados

Ao longo do estudo, 20 pacientes foram submetidos ao AFO com ou sem remodelamento da abóbada craniana como tratamento primário da craniossinostose. Dos 20 pacientes, um foi excluído devido à indisponibilidade de uma TC préoperatória digital. A coorte do estudo consistiu em 19 pacientes com distribuição de gênero quase igual, compreendendo nove indivíduos do sexo masculino e 10 do feminino. A maioria dos pacientes era de etnia malaia (n = 15), seguida por indiana (n = 2) e chinesa (n = 1).

O quadro predominante foi a craniossinostose de múltiplas suturas, observada em 17 pacientes (89,4%), enquanto o acometimento de sutura única foi identificado em apenas 2 casos (10,6%). Além disso, 13 pacientes (68,4%) foram diagnosticados com craniossinostose sindrômica, enquanto 6 (31,6%) apresentavam formas não sindrômicas. A mediana de idade à realização do AFO foi de 29 meses, com IIQ de 15 a 36 meses. A distância média de avanço cirúrgico foi de 1,58 cm, com DP de 0,45 cm (►Tabela 1).

Tabela 1 - Características sociodemográficas e clínicas (n = 19)
Variáveis n (%)
Sexo
Masculino 9 (47,4)
Feminino 10 (52,6)
Etnia
Malaia 15 (78,9)
Chinesa 1 (5,3)
Indiana 2 (10,5)
Número de suturas
Única 2 (10,6)
Múltiplas 17 (89,4)
Sindrômica
Não 6(31,6)
Sim 13(68,4)
Variáveis Média (DP); Mediana (IIQ)
Idade ao AFO (meses) 29 (15-36)
Distância do AFO (cm) 1,58 (0,45)

Abreviações: AFO, avanço fronto-orbital; DP, desvio-padrão; IIQ, intervalo interquartil.

Tabela 1 - Características sociodemográficas e clínicas (n = 19)

No período pré-operatório, o VCA médio foi de 259,15 cm3 (DP: 162,61 cm3). No pós-operatório, o VCA aumentou para 314,38 cm3 (DP: 79,78 cm3), refletindo um ganho médio estatisticamente significativo de 55,23 cm3 (intervalo de confiança de 95%: -8,13–118,59; p = 0,042), como apresentado nas ►Tabelas 2 e 3. Da mesma forma, o IAACA préoperatório médio foi de 1,14 (DP: 4,78) e passou para -1,63 (DP: 4,98) após a cirurgia, com diferença média de 2,76 (intervalo de confiança de 95%: -0,64–6,17; p = 0,05), indicando melhora significativa da simetria craniana (►Tabelas 2 e 3).

Tabela 2 - Valores de VCA e IAACA antes e após a cirurgia
Variáveis Média (DP)
Pré-operatório
VCA 259,15 (162,61)
IAACA 1,14 (4,78)
Pós-operatório
VCA 314,38 (79,78)
IAACA -1,63 (4,98)

Abreviações: DP, desvio-padrão; IAACA, índice de assimetria da abóbada craniana anterior; VCA, volume craniano anterior.

Tabela 2 - Valores de VCA e IAACA antes e após a cirurgia
Tabela 3 - Comparação do VCA e do IAACA antes e após a cirurgia
Variáveis Pré-operatório Média (DP) Pós-operatório Média (DP) Diferença média (IC de 95%) Valor de p*
VCA 259,15 (162,60) 314,38 (79,78) 55,23 (-8,13-118,59) 0,042
IAACA 1,14 (4,77) -1,6 (4,98) 2,76 (-0,64-6,17) 0,05

Abreviações: DP, desvio-padrão; IAACA, índice de assimetria da abóbada craniana anterior; IC, intervalo de confiança; VCA, volume craniano anterior.

* Nota: Teste t pareado, significativo em p < 0,05.

Tabela 3 - Comparação do VCA e do IAACA antes e após a cirurgia

Em termos de classificação do formato da cabeça, a avaliação pré-operatória mostrou que dois pacientes eram mesocefálicos e 17, braquicefálicos. No pós-operatório, as classificações não apresentaram alterações, segundo a análise pelo teste de McNemar (►Tabela 4). Apesar das melhoras significativas de volume e simetria, a classificação geral do formato da cabeça se manteve estável no período pósoperatório.

Tabela 4 - Comparação do formato da cabeça antes e após a cirurgia
Variáveis Formato da cabeça após a cirurgia Total*
Mesocefálico Braquiocefálico
Formato da cabeça antes da cirurgia Mesocefálico 2 0 2
Braquiocefálico 0 17 17

* Nota: Teste de McNemar.

Tabela 4 - Comparação do formato da cabeça antes e após a cirurgia

Discussão

A intervenção cirúrgica na craniossinostose tem como objetivo corrigir o formato da cabeça e aumentar o volume intracraniano para permitir o crescimento cerebral irrestrito. Portanto, é fundamental que o procedimento ocorra antes dos danos permanentes no cérebro da criança e sua função. O momento ideal para a realização da cirurgia é antes de 1 ano de idade, quando o cérebro atinge seu crescimento máximo. Isso ajuda a fornecer força de moldagem interna no período pós-operatório, quando os ossos do crânio ainda são maleáveis o suficiente para remodelamento e fixação.2,15,17

O AFO é uma das principais intervenções cirúrgicas para tratamento da craniossinostose, especialmente em casos com fechamento prematuro das suturas metópicas ou coro-nais.6–12 Pode ser feito de maneira isolada ou associada ao remodelamento da abóbada craniana, auxiliando a expansão anterior da abóbada, o que permite a correção das deformidades e assimetrias da região frontal.

A obtenção da simetria fronto-orbital é fundamental para os bons desfechos estéticos do AFO. No entanto, casos mais graves de craniossinostose apresentam tendência à recidiva.18 Acompanhamentos mais longos, com um mínimo de 1 ano de duração, mostraram que 55 a 75% dos casos após FOA tem recidiva da escavação temporal e retrusão supraorbitária.12 Análises cefalométricas comprovaram a possibilidade de crescimento limitado da base anterior do crânio em indivíduos com braquicefalia sindrômica.7

O uso de suturas não absorvíveis como método de fixação em cirurgias para tratamento da craniossinostose oferece vantagens econômicas significativas, tornando-se a escolha preferencial em nossa prática. Na Malásia, essas suturas são totalmente custeadas pelo governo, garantindo acesso universal sem ônus financeiro. Por outro lado, as placas reabsorvíveis não são subsidiadas, exigindo que os pacientes arquem com o custo total, o que limita o acesso àqueles com maiores condições econômicas apesar de seus benefícios clínicos. Diante disso, é crucial avaliar os desfechos clínicos do AFO usando esse método menos rígido de fixação e determinar seu impacto na fossa craniana anterior.

Há diversas medidas usadas para avaliar o desfecho cirúrgico do AFO, originários de análises subjetivas de métodos mais objetivos. Muitos estudos investigaram o desfecho cirúrgico por meio de medidas antropométricas8,11 e/ou fotografias para inclusão dos desfechos pós-operatórios dentre as várias classificações de Whitaker.9,12,16 No entanto, essa classificação tem baixa confia-bilidade interobservador,19 levando à maior preferência por avaliações mais objetivas com utilização de TC 3D para medida do volume intracraniano20,21 e do IAACA,22 além de fotogrametria 3D.21 Outros métodos de análise do desfecho funcional do AFO avaliaram a resolução dos sintomas causados pelo aumento da pressão intracraniana e dismor-fia oftalmológica.1,3,4,23,24

A população deste estudo foi operada com uma idade mediana de 29 meses, semelhante à idade média de intervenções desta natureza realizadas na Malásia desde 2011.16 A diferença no momento da cirurgia em nosso país pode ser atribuída à baixa conscientização sobre essa doença rara, levando à apresentação tardia de pacientes em centros terciários. Além disso, poucos centros oferecem intervenção cirúrgica para craniossinostose no país, já que esta requer uma equipe multidisciplinar experiente em cirurgias craniofaciais, assim como apoio de uma equipe anestésica treinada no manejo de cirurgias pediátricas de grande porte e pacientes sindrômicos, que frequentemente apresentam desafios específicos cardíacos, metabólicos e nas vias respiratórias.

Como a maioria dos pacientes sendo sindrômicos, a população de nosso estudo também pode apresentar outros distúrbios que exijam otimização e intervenção antes do AFO, especialmente se os sintomas de aumento da pressão intracraniana ainda não forem evidentes.

Aumento do Volume Craniano Anterior (VCA)

O primeiro objetivo deste estudo foi avaliar o aumento do ACV após o AFO com fixação menos rígida, usando fiode sutura não absorvível de nylon 2/0. Os resultados indicaram um aumento estatisticamente significativo no ACV, que passou de um valor médio pré-operatório de 259,15 (DP: 162,61) para 314,38 (DP: 79,78) cm3 após a cirurgia, o que representa uma diferença média de 55,23 cm3 (p = 0,042).

Essa expansão volumétrica condiz com estudos anteriores, que relataram a eficácia do AFO no aumento do volume craniano, reduzindo, assim, a pressão intracraniana e permitindo melhor crescimento do crânio. O amplo intervalo de confiança observado neste estudo (-8,13–118,59) sugere alguma variabilidade no grau de aumento de volume entre os pacientes, talvez em decorrência de fatores como idade à cirurgia, gravidade da craniossinostose e síndrome subjacente.

Melhora da Simetria da Abóbada Craniana Anterior

O segundo objetivo foi a avaliação da melhora da simetria da abóbada craniana anterior por meio do IAACA. Neste estudo, o valor médio do índice melhorou significativamente no período pós-operatório, do valor pré-operatório de 1,14 (DP: 4,78) para -1,63 (DP: 4,98) após a cirurgia, com diferença média de 2,76 (p = 0,05). Esse achado sugere que o AFO não apenas expande o volume craniano, mas também melhora a simetria ao abordar os padrões de crescimento desproporcionais associados à craniossinostose.

No entanto, o intervalo de confiança (-0,64–6,17) sugere um grau de variabilidade, provavelmente devido a diferenças anatômicas específicas das suturas acometidas, à gravidade da assimetria pré-operatória e à extensão do avanço do bandeau realizado. Resultados semelhantes foram relatados por Liang et al. após o AFO bilateral e a liberação da abóbada craniana anterior com retalho ósseo de flutuação livre não destacável.22

Alterações da Classificação do Formato da Cabeça

O terceiro objetivo deste estudo foi avaliar a alteração no formato da cabeça usando o IC antes e depois do AFO. À avaliação pré-operatória, dois pacientes foram classificados como mesocefálicos e 17 como braquicefálicos. No pós-operatório, todos pacientes permaneceram com a mesma classificação, como confirmado pelo teste de McNemar. Esses achados sugerem que, embora o AFO aumente efetivamente o volume craniano e melhore a simetria, não altera a classificação geral do formato da cabeça de maneira significativa.

As limitações do AFO na modificação do IC são particular-mente evidentes em casos de craniossinostose com acometimento de múltiplas suturas ou sindrômica, como nas síndromes de Apert ou Crouzon. Nesses casos, a distração da abóbada posterior é frequentemente necessária para obter mudanças significativas no formato da cabeça, mas este procedimento não é realizado em nosso centro.

Uma possível explicação para a ausência de alteração do formato da cabeça após a cirurgia é que o AFO facilita o movimento anterior para frente, mas não modificaaabóbada craniana posterior, o que gera mudanças mínimas da DAP. Estudos anteriores também investigaram a dismorfiacraniana pós-operatória decorrente do AFO e a correlacionaram à ausência de alteração do formato da cabeça, como aqui observado.25,26

As pesquisas sugerem que deformidades pré-operatórias mais graves estão associadas a uma maior assimetria pósoperatória, com risco de retorno ao formato da cabeça anterior à cirurgia.25 O grau de sobrecorreção pode ser explorado para alcançar melhores desfechos pós-operatórios, principalmente em combinação com a expansão da abóbada posterior e liberação subsequente, o que pode ajudar a modificar o formato da cabeça.27

Limitações e Pesquisas Futuras

Apesar do aumento significativo do VCA e da melhora da simetria observados após a cirurgia, os desfechos em longo prazo ainda são incertos devido à curta duração deste estudo. Para suprir essa lacuna, recomendamos mais pesquisas que acompanhem a população estudada até o crescimento máximo da cabeça.

Além disso, para minimizar a perda de pacientes durante o acompanhamento em estudos de longo prazo, é essencial estabelecer um registro nacional de craniossinostose. Tal registro melhoraria o rastreamento de pacientes e proporcionaria uma amostra maior para pesquisas futuras, considerando a raridade dessa doença.

Ademais, não há dados antropométricos para determinar se o aumento do VCA é condizente com os parâmetros populacionais normais. Estudos futuros devem comparar crianças acometidas com coortes controles pareadas por idade e sexo, utilizando materiais e metodologias semelhantes para geração de evidências mais robustas.

Conclusão

O uso de AFO com fixação menos rígida com suturas não absorvíveis demonstrou melhora significativa no VCA e na simetria craniana, reforçando sua eficácia como técnica cirúrgica de boa relação custo-benefício para o tratamento da craniossinostose. No entanto, nossos achados indicam que, embora o procedimento seja eficaz na expansão do volume do crânio, não altera significativamente a classifica-ção do formato da cabeça. Esses resultados devem ser interpretados com cautela devido às suas limitações, como o pequeno tamanho da amostra e a homogeneidade étnica de nossa coorte. Mais pesquisas são necessárias para confirmar esses achados em populações maiores e mais diversas e avaliar os resultados em longo prazo.

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1. Unidade de Ciências Reconstrutivas, School of Medical Sciences, Universiti Sains Malaysia, Kota Bahru, Kelantan, Malásia
2. Departamento de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, Hospital Kuala Lumpur, Jalan Pahang, Kuala Lumpur, Malásia
3. Departamento de Radiologia, Hospital Tunku Azizah, Jalan Raja Muda Abdul Aziz, Kampung Baru, Kuala Lumpur, Malásia
4. Unidade de Pesquisa e Inovação do Conjunto de Imagens Médicas Craniofaciais, School of Dental Sciences, Universiti Sains Malaysia, Kelantan, Malásia
5. Unidade de Pesquisa Odontológica, Centro de Pesquisa Transdisciplinar (CFTR), Saveetha Dental College, Saveetha Institute of Medical and Technical Sciences, Saveetha University, Chennai, Índia

Disponibilidade dos Dados Os dados serão disponibilizados mediante solicitação ao autor correspondente.

Aprovação Ética O Comitê de Ética e Pesquisa Médica da Malásia [NMRR ID-24-02969-TW0 (IIR)] e o Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universiti Sains Malaysia [USM/ JEPeM/KK/24080675] aprovaram este estudo.

Suporte Financeiro Os autores declaram que não receberam suporte finan-ceiro de agências dos setores público, privado ou sem fins lucrativos para a realização deste estudo.

Endereço para correspondência Rebecca Choy Xin Yi, Reconstructive Sciences Unit, School of Medical Sciences, Universiti Sains Malaysia, 16150, Kota Bahru, Kelantan, Malaysia (e-mail: rebecca.tusc@gmail.com).

Artigo submetido: 24/05/2025.
Artigo aceito: 12/08/2025.

Conflito de Interesses Os autores não têm conflito de interesses a declarar.

Editor-chefe: Dov Charles Goldenberg.