ISSN Online: 2177-1235 | ISSN Print: 1983-5175

Previous Article Next Article

Skull, Face and Neck - Year2013 - Volume28 - (3 Suppl.1)

INTRODUÇÃO

A orelha proeminente é uma deformidade congênita comum da região cervicocefálica, presente em 5% da população caucasiana. Caracteriza-se pela separação exagerada da orelha em relação à parede lateral do crânio. Conhecida como orelha de abano, pode causar problemas psicológicos, principalmente na idade escolar. Diversos autores têm descrito técnicas para o tratamento da antélice, destacando-se Mustarde (1963) e Stenstrom & Hefner (1978). Este artigo busca demonstrar a eficácia e as vantagens de uma nova abordagem técnica de otoplastia, que consiste na modificação das técnicas de Ely e Mustarde, sem incisões, ressecções de pele, raspagem ou ressecção de cartilagem.


OBJETIVO

Demonstrar uma abordagem fechada para o tratamento da orelha em abano, com descolamento e expansão da pele da fossa da antélice, com infiltração e fixação transcutânea com fios inabsorvíveis, sem ressecção de pele, raspagem ou incisões na cartilagem, sem pontos aparentes e sem necessidade de retirada de pontos.


MÉTODO

A técnica utilizada consiste no tratamento fechado da antélice, com descolamento posterior por infiltração e fixação transcutânea com fios inabsorvíveis por via anterior sem incisão. Trinta e cinco pacientes foram incluídos no estudo (90% do sexo feminino e 20% do sexo masculino), com idade entre 8 anos e 56 anos, operados no período de junho de 2004 a junho de 2013. A indicação principal foi corrigir as alterações que provocam apagamento da antélice do pavilhão auricular. Em ambiente cirúrgico, realizou-se: antissepsia rigorosa e colocação de campos estéreis; marcação com azul de metileno na pele, demarcando a proeminência da nova antélice com o paciente em decúbito dorsal; infiltração de solução anestésica na fossa da antélice com cerca de 5 ml de lidocaína a 1% com adrenalina 1/ 200.000 UI, com o objetivo de atingir boa expansão e descolamento da pele da região; confecção de ponto transcutâneo, com fio inabsorvível de náilon monofilamentar 4-0 preto, transfixando a pele da face anterior do pavilhão auricular e a cartilagem da escafa passando pela cartilagem e a pele da concha, sem transfixar a pele da região retroauricular; execução de ponto transfixando somente a pele da região anterior da concha (base da nova antélice); retorno da agulha pelo mesmo orifício para transfixar a pele e a cartilagem conchal, e a cartilagem e a pele da escafa; retorno da agulha para o orifício inicial, transfixando apenas a pele da escafa; transfixação da agulha para sepultamento do nó, posicionando o fio de forma a esconder o nó entre as cartilagens; corte do fio rente à pele; observação da nova antélice, antes sem definição; e curativo com malha compressiva de gaze de morim, acolchoado de algodão hidrófilo, enfaixado com fita crepe. Recomenda-se, no pós-operatório, o uso de faixa tipo tenista ou bailarina, para imobilizar a orelha junto à cabeça e evitar dobras acidentais. A avalição do resultado foi feita de forma subjetiva pela equipe cirúrgica e pelo paciente, por meio de fotos pré e pós-operatórias. Também foram analisadas recidivas e complicações.


RESULTADOS

As otoplastias foram realizadas sem incisões e, portanto, sem cicatrizes, com tempo médio de 30 minutos por orelha. Todos os procedimentos foram realizados com anestesia local. Obteve-se boa modelação da antélice em todos os casos. O tempo de permanência na clínica oscilou entre 3 horas e 4 horas. Em nenhum paciente, foi observado hematoma, dor intensa, infecção de sítio cirúrgico, isquemia ou necrose da pele, com média de 3,2 pontos em cada lado. Como complicações e intercorrências observou-se presença mínima de equimose, edema e leve hiperestesia, que melhoraram com analgésicos e drogas anti-inflamatórias. Em 6 (6,66%) pacientes houve recidiva, tratada com a mesma técnica, sem novas recidivas. Em outros 8 (8,88%) pacientes detectou-se assimetria, e em 3 (3,33%) casos ocorreu exposição de pontos, tratada com a retirada destes.


CONCLUSÃO

Em comparação a cirurgias realizadas por outros métodos tradicionais, a otoplastia fechada tem como vantagens tempo cirúrgico reduzido, melhor visualização do resultado em decorrência da modelagem da orelha pela face anterior, ausência de cicatrizes, pós-operatório simplificado, com menor desconforto para o paciente, e baixo índice de complicações. O método descrito é conservador, simples, versátil, e de fácil execução e reprodução. A técnica apresentada pretende ser mais um trunfo dentro do arsenal do cirurgião plástico.

 

Previous Article Back to Top Next Article

Support

Indexers

Licença Creative Commons All scientific articles published at www.rbcp.org.br are licensed under a Creative Commons license