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Editorial - Ano 2019 - Volume 34 - Número 1

http://www.dx.doi.org/10.5935/2177-1235.2019RBCP0001

O Fator de Impacto é o instrumento de comparação mais utilizado para avaliar a qualidade de um periódico e reflete a relação do número de citações de um periódico com seu número de artigos publicados, com base nos dois anos anteriores1,2. O Fator de Impacto é proporcionalmente mais alto em periódicos com elevado número de leitores e, consequentemente, subestima a importância de artigos publicados em periódicos mais específicos e direcionados às subespecialidades. Uma vez que reflete diretamente o número de citações e consequentemente de acessos, revistas mais gerais têm frequentemente um maior Fator de Impacto. Compare o Fator de Impacto do New England Journal of Medicine - NEJM (72,4) com o do Plastic and Reconstructive Surgery (3,78): certamente uma publicação no NEJM terá maior chance de leitura para um leitor geral. Por outro lado, é mais provável que um cirurgião plástico leia primeiro um artigo de seu interesse publicado no periódico de sua especialidade. Assim, pelo lado do autor, é primordial definir se seu objetivo é divulgar seu estudo a fim de ganhar visibilidade geral ou influenciar seus pares com seus resultados, mesmo que publicando em periódicos de menor volume, mas de alta qualidade, como os periódicos especializados. O papel dos médicos e pesquisadores é divulgar seus resultados visando o bem-estar do paciente, implementando melhorias no diagnóstico, manejo e desfecho de terapias. É essencial compreender as limitações do Fator de Impacto a fim de incentivar a submissão em periódicos de especialidades menores, mas igualmente impactantes1,3.

No meio acadêmico há clara pressão por publicações em periódicos com alto impacto por garantir melhores índices de performance para o serviço de origem, além das exigências em cursos de pós-graduação e maiores chances de obtenção de fomentos financeiros. A utilização exclusiva do Fator de Impacto como ferramenta de classificação de periódicos em nosso país merece ser reavaliada. Isto não diz respeito exclusivamente à nossa especialidade, mas a todas as áreas especializadas da medicina que convivem com o dilema entre publicar para aparecer e publicar para divulgar ciência. Logicamente, que uma publicação em um periódico de alto impacto e conhecido não leva a discussões, mas há muitos periódicos menos qualificados e com índices de impacto muito mais elevados que os das especialidades. Estas são as situações que devem ser avaliadas. Como explicar que a principal revista mundial da especialidade em cirurgia plástica não receba a mais alta qualificação no Qualis-Capes? E isso não é exclusivo de nossa especialidade, como comentado anteriormente.

É necessário que novas metodologias de qualificação de periódicos sejam implementadas, nacional e internacionalmente. Associações de editores têm buscado fornecer justificativas e estímulos aos publicadores no sentido de aumentar a métrica de avaliação da capacidade de leitura de um artigo. O acesso aberto é um dos caminhos, por permitir maior abrangência em termos de leitores. Essa disseminação do conhecimento médico para um público mais amplo, ainda não avaliada ou contabilizada pelo Fator de Impacto, deve se tornar o principal caminho de mudanças.

DOV GOLDENBERG
Editor chefe da RBCP

REFERÊNCIAS

1. Nair L, Adetayo OA. A Critique of the Impact Factor and Ramifications of Its Misuse in Plastic and Reconstructive Surgery: The Real Impact of the Impact Factor. Plast Reconstr Surg. 2018;142(4):566e-568e. PMID: 30052555

2. Mohamed NS, Gwam CU, Etcheson JI, George NE, Piuzzi NS, Rosas S, et al. Impact factors of orthopaedic journals between 2010 and 2016: trends and comparisons with other surgical specialties. Ann Transl Med. 2018;6(7):114. DOI: https://doi.org/10.21037/atm.2018.03.02

3. Karsy M, Azab MA, Guan J, Couldwell WT, Rolston JD. The Impact of Specialization in Journal Networks and Scholarship. World Neurosurg. 2018;120:e349-e356.











. Editor chefe da RBCP

 

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