Review Article - Year 2026 - Volume 41Issue 1
Cirurgia de remodelamento costal: Revisão integrativa
Rib Remodeling Surgery: An Integrative Review
RESUMO
Introdução Os procedimentos de contorno corporal são cada vez mais populares por melhorarem a aparência física, mas o estreitamento da cintura pode ser limitado em pacientes com tórax largo, o que requer técnicas adicionais para a obtenção de resultados melhores.
Objetivo Identificar as principais relações entre as técnicas de remodelação costal, e avaliar sua eficácia, segurança e impacto na satisfação dos pacientes.
Materiais e Métodos Esta revisão integrativa analisou estudos publicados nos últimos 5 anos nas bases de dados PubMed, Cochrane, LILACS e SciELO, incluindo artigos publicados em inglês, português e espanhol que abordassem técnicas estéticas de remodelação das costelas.
Resultados e Discussão Os estudos selecionados destacam procedimentos guiados por ultrassom que aumentam a precisão e segurança, além da técnica de cirurgia de osteossíntese da costela (rib osteosynthesis surgery, RIBOSS, em inglês), que proporciona estabilidade estrutural e boa recuperação. Embora os relatos indiquem alta satisfação e baixa incidência de complicações, há lacunas quanto à padronização dos critérios de sucesso, à avaliação de longo prazo e ao controle de variáveis associadas. A integração de tecnologias avançadas mostra-se promissora, mas depende de fatores como custo e capacitação.
Conclusão Apesar dos avanços, a literatura carece de estudos rigorosos e padronizados que avaliem a eficácia e segurança do remodelamento costal no longo prazo, o que ressalta a necessidade de protocolos que considerem tanto os desfechos clínicos quanto a perspectiva do paciente.
Palavras-chave: costelas; fraturas das costelas; cirurgia plástica; procedimentos de cirurgia plástica; estética
ABSTRACT
Introduction Body-contouring procedures are increasingly popular to enhance physical appearance. However, waist narrowing may be limited in patients with a broad thorax, requiring additional techniques to achieve better outcomes.
Objective The current study aimed to identify the main consistent aspects among ribremodeling techniques, evaluating their efficacy, safety, and impact on patient satisfaction.
Materials and Methods The present integrative review analyzed studies published English, Portuguese, and Spanish in the last 5 years in the PubMed, Cochrane, LILACS, and SciELO databases that addressed esthetic rib-remodeling techniques.
Results and Discussion The selected studies focused on ultrasound-guided procedures that enhance precision and safety, along with the rib osteosynthesis surgery (RIBOSS) technique, which provides structural stability and promotes better recovery. Although reports indicate high satisfaction and low complication rates, gaps remain regarding the standardization of success criteria, long-term evaluation, and control of associated variables. The integration of advanced technologies appears promising, but it depends on factors such as cost and professional training.
Conclusion Despite the advancements, the literature lacks rigorous and standardized studies assessing the long-term efficacy and safety of rib remodeling, underscoring the need for protocols that consider clinical outcomes and the patient's perspective.
Keywords: ribs; rib fractures; surgery, plastic; plastic surgery procedures; esthetics
Introdução
Os procedimentos de contorno corporal têm ganhado cres-cente popularidade mundialmente, devido à sua capacidade de melhorar a aparência física e proporcionar o formato corporal desejado. Entre as intervenções mais realizadas, a lipoaspiração se destaca como a principal técnica, seguida de outras, como aumento mamário, blefaroplastia e abdomino-plastia.1 Entretanto, apesar da eficácia dessas técnicas, o estreitamento da cintura pode ser limitado, especialmente em pacientes com tórax largo, para os quais procedimentos adicionais são necessários para alcançar resultados satisfatórios.2,3
Nesse contexto, técnicas cirúrgicas inovadoras voltadas para a remodelação da cintura têm sido desenvolvidas, incluindo a osteotomia e ressecção das costelas flutuantes (décima primeira e décima segunda). Embora a remoção dessas costelas possa reduzir significativamente a circun-ferência da cintura e apresentar alta satisfação dos pacientes, trata-se de um procedimento invasivo, associado a riscos perioperatórios consideráveis, como pneumotórax, infec-ções e lesões nervosas, além da perda da proteção óssea natural aos órgãos internos.2-5
Além disso, o uso de tecnologias tem permitido maior precisão no procedimento, com monitoramento da angula-ção das fraturas e contribuição para a redução de complica-ções. Essas inovações refletem o crescente interesse por procedimentos menos invasivos que promovam uma cintura
mais fina e harmoniosa, para atender às expectativas esté-ticas com maior segurança.2-5
Objetivo
Objetivo deste estudo é identificar, por meio de uma revisão integrativa, as principais relações entre os estudos sobre técnicas de remodelação costal e avaliar a qualidade meto-dológica das publicações existentes. O estudo também busca analisar a eficácia, a segurança e o impacto dessas técnicas na satisfação dos pacientes; ressalta-se, ainda, a necessidade de pesquisas mais robustas que garantam a segurança e a qualidade dos resultados no longo prazo.
Materiais e Métodos
Realizou-se uma busca bibliográfica nas bases de dados PubMed, Cochrane, LILACS e SciELO utilizando termos espe-cíficos como rib remodeling e plastic surgery, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos artigos publicados nos últimos 5 anos, em inglês, português e espanhol, para garantir a atualidade e relevância das evidências.
Os critérios de inclusão foram estudos primários, revisões sistemáticas, ensaios clínicos, estudos observacionais e rela-tos de caso que abordassem técnicas estéticas de remodela-ção das costelas e seus desfechos, dentro da área da cirurgia plástica. Foram excluídos artigos que não tratassem direta-mente do tema, bem como publicações duplicadas, editori-ais, cartas ao editor e opiniões.
A seleção dos estudos foi realizada em duas etapas: inicialmente, a triagem dos títulos e resumos; posterior-mente, a leitura integral dos artigos que atendiam aos critérios de inclusão. Para garantir a imparcialidade, a sele-ção foi feita por dois pesquisadores independentes, cegados quanto à autoria e à origem dos artigos, com divergências resolvidas por um terceiro avaliador.
A extração dos dados foi feita por meio de formulário padronizado, que contemplava informações sobre o tipo de estudo, as características da amostra, as intervenções, os desfechos avaliados e os principais resultados.
Resultados
Cipriani et al.3 (2023) investigaram uma técnica de remode-lação da cintura sem incisões, utilizando fratura monocorti-cal guiada por ultrassom. O estudo demonstrou que o procedimento é seguro, minimamente invasivo, e propor-ciona resultados estéticos satisfatórios, com alta satisfação das pacientes e cicatrizes praticamente imperceptíveis.
Cipriani4 (2024) avaliou a eficácia do remodelamento costal guiado por ultrassom, e discutiu a importância do clack (o som da fratura) como indicador do sucesso do procedimento. O estudo reforça a segurança da técnica e destaca a precisão proporcionada pelo ultrassom para o monitoramento intraoperatório.
Villa et al.2 (2025) descreveram a técnica de cirurgia de osteossíntese da costela (rib osteosynthesis surgery, RIBOSS, em inglês), que combina remodelação estética da caixa torácica com osteossíntese para alta definição corporal. Publicado recentemente, o estudo demonstrou que a técnica proporciona resultados estéticos aprimorados, com boa estabilidade estrutural e recuperação adequada, sendo uma alternativa eficaz e segura para a remodelação costal, com baixa incidência de complicações e alta satisfação dos pacientes.
Valdivieso et al.5 (2024) apresentaram uma análise da remodelação costal centrada em resultados estéticos e segu-rança. O estudo reforça a eficácia das técnicas minimamente invasivas, com baixa incidência de complicações e alta satisfação dos pacientes, e destaca a importância do plane-jamento cirúrgico detalhado ►Tabela 1.
| Autor (ano) | Tipo de estudo | População (n) e gênero | Desfechos avaliados | Resultados principais |
|---|---|---|---|---|
| Cipriani et al.3 (2023) | Observacional | Não especificados, presumivelmente mulheres | Eficácia, segurança e satisfação | Técnica segura, minimamente invasiva, alta satisfação |
| Cipriani4 (2024) | Descritivo | Não especificados | Precisão do procedimento e segurança | Ultrassom aumenta a precisão, clack indica sucesso |
| Villa et al.2 (2025) | Clínico | Não especificados | Resultados estéticos, estabilidade e recuperação | Técnica RIBOSS eficaz, boa estabilidade e recuperação |
| Valdivieso et al.5 (2024) | Observacional | Não especificados | Segurança, resultados estéticos e complicações | Baixa taxa de complicações, alta satisfação, planejamento essencial |
Abreviatura: RIBOSS, rib osteosynthesis surgery (cirurgia de osteossíntese da costela).
Considerações Éticas
Esta revisão integrativa utilizou dados secundários disponí-veis publicamente, que não envolvem diretamente seres humanos, de modo que dispensa a necessidade de aprovação ética. No entanto, garante-se a integridade na citação das fontes e a transparência na condução da revisão.
Discussão
As técnicas de remodelação costal para contorno da cintura ganharam destaque por oferecerem alternativas menos inva-sivas e apresentarem potencial para a obtenção de resultados estéticos significativos. Entre os poucos estudos realizados nos últimos 5 anos, a maioria teve como objetivo principal a divulgação de novas técnicas.
Entre os trabalhos incluídos neste estudo, a técnica mais frequentemente investigada foi o uso do ultrassom durante o ato operatório para aprimorar a qualidade dos resultados obtidos. A aplicação do ultrassom como ferramenta de monitoramento intraoperatório trouxe maior precisão na execução das fraturas monocorticais, o que reduziu os riscos e elevou a segurança do procedimento. Além disso, essa tecnologia favorece a padronização das intervenções, aspecto fundamental para garantir a replicabilidade dos métodos e a avaliação objetiva dos desfechos.
O estudo de Villa et al.2 contribui significativamente para essa área ao apresentar a técnica RIBOSS, que alia remode-lação estética da caixa torácica à osteossíntese com placas de titânio, o que proporciona maior estabilidade estrutural e conforto ao paciente durante a recuperação. Essa abordagem inovadora demonstra que é possível alcançar resultados estéticos aprimorados com menor tempo de imobilização e menor impacto nas atividades diárias, o que pode aumentar a adesão e a satisfação dos pacientes.
Apesar dos benefícios evidenciados, a literatura ainda apresenta lacunas importantes. A ausência de critérios uniformes para a avaliação do sucesso cirúrgico, como demonstrado pela variabilidade na detecção do som carac-terístico da fratura, indica a necessidade de protocolos mais rigorosos e integrados que combinem sinais clínicos e tecnológicos. Além disso, a maioria dos estudos se centra em resultados de curto a médio prazo, e deixa em aberto questões sobre a durabilidade dos efeitos e as possíveis complicações tardias.
Outro aspecto relevante é a heterogeneidade das amostras e a falta de controle rigoroso sobre variáveis que podem influenciar os resultados, como procedimentos complemen-tares (como lipoaspiração), características individuais dos pacientes e técnicas cirúrgicas associadas. Essa diversidade dificulta a generalização dos achados e reforça a importância de estudos futuros com delineamentos mais robustos, incluindo grupos controle e randomização.
A satisfação dos pacientes, embora frequentemente rela-tada como alta, carece de avaliações padronizadas e valida-das, o que compromete a comparabilidade entre estudos. Além disso, aspectos psicossociais e de qualidade de vida relacionados à imagem corporal e à autoestima são pouco explorados, apesar de serem fundamentais para compreen-der o impacto real dessas intervenções.
No que tange à segurança, embora as complicações rela-tadas sejam geralmente leves e transitórias, a literatura ainda carece de dados consistentes sobre eventos adversos no longo prazo, o que é essencial para a consolidação dessas técnicas na prática clínica.
Por fim, a integração de tecnologias avançadas, como a tomografia computadorizada tridimensional (3D) para o planejamento pré-operatório, o uso de Piezotome (Acteon Group) ultrassônico e a osteossíntese com placas de titânio, mostra-se promissora para aprimorar a precisão cirúrgica e os resultados estéticos. Contudo, a adoção ampla dessas ferramentas depende da disponibilidade, do custo e da capacitação dos profissionais, fatores que devem ser consi-derados no desenvolvimento de diretrizes clínicas.
Conclusão
Esta revisão destaca a necessidade de estudos mais rigorosos e bem planejados sobre a remodelação da cintura por fratura das costelas, pois a maioria das pesquisas atuais apresenta limitações metodológicas que comprometem a confiabilidade dos resultados. Investigações futuras devem seguir protocolos rigorosos, incluir grupos de controle e analisar detalhada-mente os desfechos, especialmente em procedimentos com-binados, para avaliar com clareza a eficácia e segurança da técnica. Além disso, é fundamental considerar a perspectiva do paciente para desenvolver protocolos que atendam às expectativas estéticas e funcionais de forma segura e eficaz.
REFERENCES
1. International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Global Survey 2021 [Internet]. Mount Royal, NJ: ISAPS; 2023. Disponível em: https://www.isaps.org/discover/about-isaps/global-statis-tics/reports-and-press-releases/global-survey-2021-full-re-port-and-press-releases/#:~:text=The%20report%20shows%20a%20continuing,in%20the%20last%20four%20years
2. Villa HA, Villabona-Florez SJ, Hoyos AE, Pachon MEP, Serrano-Reyes HM, Sandoval CJD. Aesthetic Rib Cage Remodeling with Osteosynthesis: Body Structural High-Definition Reshaping (Rib Osteotomy with Osteosynthesis Stabilization). Plast Reconstr Surg 2025;155(02):279-288. Doi: 10.1097/PRS.0000000000011512
3. Cipriani RMM, Vega HD, Uribe LC, Viaro M, Adrianzen GA, Botelho DL. Waist remodeling without incision, with ultrasound-guided monocortical fracture. Plast Reconstr Surg Glob Open 2023;11 (12):e5499. Doi: 10.1097/GOX.0000000000005499
4. Cipriani RMM. Is “clack” enough? Rib remodeling guided by ultrasound. Plast Reconstr Surg Glob Open 2024;12(05):e5843. Doi: 10.1097/GOX.0000000000005843
5. Valdivieso CO, Valdivieso DO, Hoyos AE, et al. ltrasonicand Ultra-sound-assisted Improvement of Silhouette of the Torso: Bone Struc-ture High-definition Remodeling (Part I). Plast Reconstr Surg Glob Open 2024;12(01):e5513. Doi: 10.1097/GOX.0000000000005513
1. Curso de Medicina, Universidade Anhembi Morumbi, -Piracicaba, SP, Brasil
Address for correspondence Julia Leite Munhoz, Curso de Medicina, Universidade Anhembi Morumbi, Piracicaba, SP, Brasil (e-mail: juliamunhoz21@gmail.com 125111346020@ulife.com.br).
Article received: September 23, 2024.
Article accepted: December 14, 2025.
Editor-chefe: Dov Charles Goldenberg.
Conflito de Interesses
As autoras não têm conflito de interesses a declarar.




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